Com mais refeições em casa, busca por saudabilidade e exigência por transparência, consumidores impulsionam uma nova lógica de consumo
O azeite de oliva deixou de ser um item pontual na despensa para ganhar protagonismo na alimentação do brasileiro. Antes restrito a ocasiões específicas, como jantares especiais e confraternizações, o óleo vegetal passou a ocupar um espaço fixo na rotina alimentar de muitas pessoas, impulsionado por uma combinação de fatores que vão desde maior consciência sobre saúde, até mudanças profundas no comportamento do consumidor
Segundo o International Olive Council, apesar da alta de preços em 2024, devido aos eventos climáticos extremos na Europa, o mercado mundial se reorganizou no ano seguinte. Com cerca de 3,57 milhões de toneladas na safra 2024/25, a oferta do produto aumentou e reforçou a tendência de estabilização dos preços no mercado global.
Neste movimento, que não ocorre de maneira isolada, por dialogar com uma transformação mais ampla nos hábitos alimentares, o consumidor passou a buscar mais informação sobre o que consome, questionando origem, qualidade e impactos no organismo. Nesse contexto, o produto deixa de ser apenas um ingrediente e passa a ocupar o papel central em uma nova lógica de consumo mais consciente, informada e criteriosa.
Benefícios do azeite para a saúde
Ao analisar o ponto de vista nutricional do azeite de oliva, especialmente o extravirgem, percebe-se o destaque em sua composição lipídica. Fator essencial para a absorção de boas gorduras e nutrientes. Devido a alta concentração de gorduras monoinsaturadas, que fazem bem ao organismo, com predominância do ácido oleico e vitamina E, o tempero se diferencia por apresentar um potencial efeito protetor sobre o sistema cardiovascular.
Conforme demonstrado por organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a European Food Safety Authority (EFSA), substituir gorduras saturadas por monoinsaturadas auxilia na redução do colesterol LDL (o chamado “colesterol ruim”), demonstrando melhora do perfil lipídico geral do organismo. Na prática, isso se traduz em menor risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de auxiliar na digestão, saúde cerebral e perda de peso.
No entanto, os benefícios do azeite vão além das gorduras. O produto também é fonte relevante de compostos fenólicos, substâncias bioativas com ação antioxidante e anti-inflamatória. Estudos indicam que esses compostos ajudam a combater o estresse oxidativo, processo associado ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer.
De acordo com a nutricionista parceira da Castelo Alimentos, Cinthya Maggi, o impacto do óleo deve ser analisado de forma integrada. “O azeite extravirgem reúne compostos que atuam de maneira sinérgica no organismo. Os polifenóis, por exemplo, contribuem para modular processos inflamatórios e melhorar a função endotelial, que é fundamental para a saúde dos vasos sanguíneos. Isso reforça seu papel não apenas como gordura de substituição, mas como um alimento funcional dentro de um padrão alimentar equilibrado”, explica.
Apesar do impacto positivo à saúde, a quantidade ingerida faz diferença. Por se tratar de um alimento calórico, é necessário consumir de maneira equilibrada, com a inclusão de pequenas porções ao longo do dia, principalmente em preparações frias ou na finalização de pratos.“O ideal é utilizar o azeite extravirgem em preparações que preservem seus compostos bioativos, como saladas, legumes ou pratos já finalizados. O aquecimento excessivo pode reduzir parte desses compostos, embora o azeite ainda mantenha boa estabilidade quando comparado a outros óleos vegetais”, orienta a nutricionista.
Outro ponto relevante é o papel do azeite dentro de padrões alimentares amplamente reconhecidos, como a dieta mediterrânea, frequentemente associada à longevidade e à redução de doenças crônicas. Nesse contexto, ele não atua isoladamente, mas como parte de um conjunto alimentar que privilegia alimentos in natura, vegetais, grãos integrais e proteínas de qualidade.
Mercado em transformação
Se os benefícios à saúde ajudam a explicar o aumento do consumo, o cenário econômico recente mostra que o azeite também se tornou um produto estratégico e, ao mesmo tempo, volátil. Nos últimos anos, o mercado global passou por uma forte instabilidade, com impacto direto nos preços e na disponibilidade da mercadoria.
A principal razão para isso está no clima, visto que países europeus como Espanha, Grécia e Portugal, responsáveis por grande parte da produção mundial, enfrentaram períodos prolongados de seca e temperaturas extremas, afetando diretamente a produção de suas safras. Como resultado, houve uma redução da oferta global durante o período, o que pressionou os preços, que chegaram a registrar aumentos de até 50% em determinados momentos de 2024.
Essa escalada trouxe o azeite para o centro das atenções não apenas do consumidor, mas também do varejo e da indústria. Em muitos casos, o produto passou a ser tratado como item de valor agregado elevado, com impacto direto no orçamento doméstico de muitas famílias. Entretanto, o cenário começou a dar sinais de acomodação no ano seguinte ao apresentar uma recuperação parcial das safras, aliada a condições climáticas mais favoráveis, contribuindo para uma recomposição gradativa da oferta global.
O impacto no consumo brasileiro e novos padrões de consumo
O mercado de azeite brasileiro é estruturalmente dependente do cenário internacional. A produção nacional ainda é limitada, concentrada principalmente na região sul, o que faz com que o país dependa majoritariamente da importação — especialmente de países europeus. Esse fator torna o produto altamente sensível a oscilações externas, como o caso das variações climáticas de 2024, impactando diretamente os preços e o comportamento de compra.
Diante dessa situação de pressão inflacionária sobre os alimentos, o governo federal adotou, em março de 2025, uma medida emergencial com impacto direto na categoria. O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a redução à zero do imposto de importação de alimentos como o azeite de oliva, que anteriormente era de 9%, como parte de um pacote voltado à contenção da alta de preços e à ampliação da oferta no mercado interno.
Essa medida teve como objetivo facilitar a entrada do produto no país a custos menores, aumentando a disponibilidade e contribuindo para aliviar a pressão sobre os preços ao consumidor. Segundo o próprio governo federal, a flexibilização tarifária busca mitigar desequilíbrios entre oferta e demanda causados por fatores externos, além de ampliar o poder de compra da população.
Apesar disso, o comportamento do consumidor brasileiro passou a ser mais racional com o produto nos últimos anos, priorizando custo-benefício, reduzindo desperdícios e valorizando a informação. Para Gislaine Pavani de Freitas, gerente de marketing da Castelo Alimentos, isso indica uma mudança qualitativa no consumo, até então apenas quantitativo. “A categoria evoluiu junto com o consumidor. Hoje existe uma atenção muito maior à procedência, à rotulagem e à confiabilidade do produto. Ao mesmo tempo, o preço ganhou protagonismo nas decisões de compra, especialmente após as oscilações recentes”, afirma Gislaine.
A combinação entre acesso à informação, preocupação com a saúde e um cenário econômico desafiador, redefiniu os critérios de escolha do consumidor brasileiro. Hoje, fatores como rastreabilidade, autenticidade e clareza no rótulo ganharam relevância semelhante ao preço isolado.
Isso significa que o consumidor não busca necessariamente o produto mais barato, mas aquele que entrega valor percebido. Para Gislaine, esse movimento indica uma mudança estrutural na categoria. “O brasileiro vem ampliando seu repertório e entendendo o azeite não apenas como um componente ocasional do seu dia a dia. Esse processo vem acompanhado de uma exigência maior por transparência e segurança, o que fortalece marcas que conseguem comunicar bem sua origem e proposta de valor”, destaca.
O resultado desse conjunto de transformações é um mercado mais maduro, no qual o consumo deixa de ser guiado apenas pelo hábito ou pelo preço e passa a incorporar critérios mais complexos. Nesse contexto, o azeite segue presente no prato do brasileiro, mas agora carrega um significado mais amplo: representa uma escolha consciente, associada à qualidade da alimentação e ao entendimento, cada vez mais claro por parte do consumidor
Sobre a Castelo Alimentos
No mercado desde 1905, a Castelo Alimentos, antiga Vinagre Castelo, é a maior empresa de vinagres da América Latina. Considerada uma das mais importantes indústrias de alimentos, a empresa comercializa mais de 150 produtos, desde vinagres de vinho, de arroz, maçã e saborizados, até temperos completos, molhos para salada, molhos condimentados, balsâmicos, azeites, conservas, palmitos, patês, entre outros. Nos últimos anos, a Castelo Alimentos desenvolveu um projeto de conquista do mercado internacional com a exportação de seus produtos para diversos países, como Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai, Japão, Dubai, Angola, Portugal, Holanda e Estados Unidos. Em maio de 2024, a Castelo ingressa no mercado de produtos de limpeza com o lançamento de Vinabio, um produto inovador que utiliza o vinagre como matéria-prima.
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