Como lidar com o autismo nas férias escolares?

As férias de julho costumam trazer uma mudança significativa na rotina das famílias. Se o verão acaba sendo muito aguardado por conta do sol, praia e programas ao ar livre, as férias de julho também têm inúmeros programas que as crianças adoram, como festas caipiras, festivais de inverno, viagens para curtir programas próprios da estação que ficam super movimentados etc. Mas, se para muitas crianças essa variedade de experiências representa diversão e descanso, para as com Transtorno do Espectro Autista (TEA) o excesso de estímulos pode provocar desconforto e episódios de hipersensibilidade sensorial.

Para ajudar a enfrentar essas situações, uma das estratégias é realizar um trabalho integrado com psicólogos por meio da dessensibilização sistematizada, que consiste na aproximação gradual aos estímulos externos, e de estimulação sensorial com terapeutas ocupacionais. Segundo a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto, esses profissionais também podem orientar os pais a preparar os filhos para as mudanças que acontecerão durante o período de férias, como as viagens, as festas e até a mudança de clima. “É importante contextualizar previamente os ambientes que a criança irá frequentar, explicando como será a rotina, quais estímulos ela poderá encontrar e quais estratégias poderá utilizar caso se sinta desconfortável. Essa familiarização ajuda a reduzir a ansiedade e aumenta a sensação de segurança”, explica Bárbara.

Mas embora o trabalho terapêutico seja fundamental, existem medidas simples que podem ser adotadas pelas famílias para tornar esse período mais tranquilo. A seguir, Bárbara dá algumas orientações:

– Antecipe os acontecimentos: Sempre que possível, explique com antecedência os passeios, as viagens, as atividades programadas e o que será encontrado no local. Utilize fotos, vídeos ou imagens dos locais que serão visitados e converse sobre quem estará presente e quanto tempo permanecerão em cada ambiente;
Respeite os limites da criança: As férias de julho, mesmo mais curtas, costumam incluir muitos compromissos sociais, mas nem sempre a criança estará preparada para participar de todas as atividades. É importante respeitar seu tempo e compreender que recusar determinados programas também faz parte do autocuidado;
– Planeje momentos de pausa: Durante passeios ou viagens, procure identificar locais mais tranquilos onde a criança possa descansar caso se sinta sobrecarregada. Um quarto, uma área menos movimentada ou até alguns minutos longe do estímulo intenso podem fazer diferença;
– Conheça o perfil sensorial do seu filho: Entender quais estímulos costumam causar desconforto ajuda a adaptar as atividades. Barulhos intensos, locais muito cheios, luzes fortes ou mudanças bruscas na rotina podem exigir ajustes para que a experiência seja mais agradável;
– Leve objetos de conforto: Brinquedos favoritos, fones com redução de ruído, mantas, livros ou outros objetos familiares podem ajudar a transmitir segurança e facilitar a adaptação a novos ambientes.

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